O PROGRAMA

Um documentário sobre os integrantes do Grupo Patrulha da Alegria. Quem são eles depois que tiram a máscara? O que os levou a escolher ser um Palhaço de Hospital? O que pensam e sentem?

Trabalho Acadêmico

Danielle Rocha e Sandra Souza - 7° período Comunicação Social

Palhaços-Doutores



Texto baseado na pesquisa "Interações entre voluntários e usuários em onco-hematologia pediátrica: um estudo sobre os “palhaços-doutores”, encontrada no endereço http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1808-42812009000300006&script=sci_arttext


“Palhaços-doutores” são voluntários que adotam a “arte do palhaço” em atividades recreativas em ambientes hospitalares, proporcionando bem-estar físico, psicológico e social ao paciente internado.

Palhaços em hospitais: uma proposta de intervenção lúdica em saúde

Um marco histórico que merece destaque é a trajetória bastante conhecida do Dr. Patch Adams que, há mais de três décadas, passou a adotar a arte do palhaço nos contatos com seus pacientes.

Desde então, o movimento vem se expandindo pelo mundo. No Brasil, em 1991, teve início um programa similar com Wellington Nogueira, fundador e coordenador geral dos Doutores da Alegria, que se define como uma “organização dedicada a levar alegria a crianças hospitalizadas, seus pais e profissionais de saúde, através da arte do palhaço, nutrindo esta forma de expressão como meio de enriquecimento da experiência humana”.

De acordo com o levantamento realizado em 2001 pelo Centro de Estudos Doutores da Alegria, existem 180 grupos de voluntários que operam dessa maneira em instituições hospitalares brasileiras.

O termo “palhaço-doutor” identifica o trabalho terapêutico realizado por performáticos, que recebem treinamento em habilidades interpessoais e de comunicação, juntamente com técnicas de improviso, para a promoção de bem-estar físico e mental, qualidade de vida, diminuição de ansiedade e estresse entre pacientes, familiares e membros da equipe de saúde.

É possível afirmar que as práticas dramáticas empregadas buscam desmistificar, simplificar e, principalmente, parodiar procedimentos de saúde, o que pode resultar em alívio, conforto e bem-estar físico, psicológico e social do paciente internado e de seus acompanhantes.

Benefícios adicionais às intervenções de “palhaços-doutores” também foram observados por Bennetts (2004). O autor concluiu que a experiência de riso suscitada modifica a percepção de tédio e quietude fortemente vinculados à rotina hospitalar, além de redimensionar a sensação de “estar doente”.

No Brasil, os trabalhos publicados por Massetti (1998, 2003) ressaltaram aspectos bastante positivos, inclusive para os acompanhantes: moderação da ansiedade, participação mais ativa no tratamento da criança, além do aumento de confiança na equipe.

Em um estudo sobre a percepção da equipe médica e de acompanhantes a respeito do “palhaço-doutor”, Carvalho e Rodrigues (2007) reuniram relatos igualmente favoráveis, inclusive com o reconhecimento por parte dos profissionais de saúde de que o trabalho desenvolvido pelo movimento é um exemplo de humanização na saúde.

PESQUISA

Independentemente da idade, os pacientes relataram satisfação com a presença do “palhaço-doutor” no hospital, sendo que os adolescentes e os pré-adolescentes avaliaram as conseqüências, por eles mesmos observadas, de atividades realizadas com outros pacientes, ao passo que os mais jovens mencionaram suas próprias reações comportamentais.


“Acho legal, porque anima mais. Assim, as crianças que estão tristes... Elas não gostam de internar e eles vêm alegrar” (Paciente, 17 anos).

“Eu acho legal, bom. Tem gente que toma remédio e fica triste e eles vêm e animam as crianças” (Paciente, 10 anos).

“Eles fazem palhaçadas. [Eu] ri demais” (Paciente, 7 anos).


Até mesmo pacientes bem jovens foram capazes de associar redução de sensações físicas desagradáveis ou do comportamento de chorar com a participação em intervenções propostas pelos voluntários.

“Bem. Sinto que as minhas mãos não ficam doendo, nem sinto reação da quimioterapia. Porque a gente esquece. Quando eu faço quimioterapia, eu vomito. E eu não vomitei. Fico quietinha. Você viu que o menino tava chorando e parou de chorar?” (Paciente, seis anos).

Enfatizam ainda que se trata de uma atividade distrativa em relação à situação adversa da hospitalização e dos procedimentos invasivos e dolorosos.

“Esqueço um pouquinho que estou no hospital” (Paciente, seis anos).

“A pessoa fica distraída. Quando a pessoa fica pensando na quimioterapia, ela vomita” (Paciente, 6 anos).



ACOMPANHANTES

Todos apontaram benefícios para os pacientes seja como atividade estimulante, seja como estratégia distrativa em relação às adversidades ou como mediador de modificação da percepção da experiência hospitalar:

“A intenção é válida, porque as crianças ficam paradas, ansiosas por estarem fora do ambiente natural”.

“Tudo que faz com que as crianças lembrem da rotina de alegria, de brincadeira, é válido”.

“O palhaço chama a moça [outro palhaço] de doutora. Diminui o medo dela [filha da acompanhante] de médico. Depois, ela disse: ‘Olha mãe, a doutora é uma palhacinha”.

“Eles ficam alegres, pelo menos um pouco, alguns minutos”.

“Descontrai, tira um pouco do sofrimento, elas ficam alegres porque ninguém agüenta ficar na agulha”.

De acordo com os acompanhantes, a atuação dos “palhaços-doutores” oferece uma estratégia distrativa para seu próprio enfrentamento:

“Sinto bem também. Porque é tão estressante, desgastante. Eles alegram até a gente também”.

“Eu nunca fui muito de palhaço, eu percebo que ela [filha] fica animada, aí eu fico animada”.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Diante das adversidades a serem enfrentadas, tanto no plano material, quanto no plano afetivo no ambiente hospitalar, é fundamental incentivar recursos de humanização, a exemplo daqueles evidenciados e discutidos no presente estudo.

1 comentários:

  1. Thiago disse...
      Este comentário foi removido pelo autor.

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